Ouça Caprices de Fenella Humphreys.
Fenella Humphreys

Caprices

Álbum · Música clássica · 2022 · Rubicon
“Como intérprete, é bom ir até o limite, e esta música definitivamente provoca isso”, diz Fenella Humphreys ao Apple Music. “Quando eu era criança e participava de competições, sempre falavam: ‘Ela é tão musical, pena que a técnica deixe a desejar.” Com o álbum Caprices, ela finalmente está “deixando de pensar nisso”. O repertório aqui abrange 200 anos, inclui várias peças inéditas encomendadas por Humphreys e é bem variado. As obras, porém, têm uma coisa em comum: as extraordinárias exigências técnicas que impõem ao músico. São músicas feitas para deslumbrar.
De fato, a violinista britânica encara uma das mais difíceis obras para violino de todos os tempos: os 24 Caprices, de Paganini. “Eu os evitava sempre que podia porque, de alguma forma, achava que não conseguiria tocar esse tipo de música”, diz Humphreys. “Mas me livrei desse fantasma, e hoje eu adoro interpretá-los. As variações são quase como gotas d’água, todas com seu universo próprio.” Uma dessas miniaturas – o famoso “Caprice No. 24” – torna-se a base para algo mais abrangente. Humphreys convidou 12 compositores para que cada um criasse uma variação de 16 compassos sobre o tema original de Paganini. “A diversidade de linguagem oriunda do mesmo tema é extraordinária”, diz ela. “Como, por exemplo, a variação de Heloise Werner, que exige canto e gritos, ou a bela e devastadora variação de Alex Howard, ou ainda a variação de James Joslin, em que cada compasso se relaciona com uma variação diferente de Paganini, mas ele ajusta as notas e os ritmos de forma muito inteligente.”
Esta seleção abrangente inclui também o clássico “Recitativo and Scherzo-Caprice, Op. 6”, de Fritz Kreisler, a encantadora “Hora Bessarabia”, de Roxanna Panufnik – originalmente composta para a Menuhin Competition de 2016 –, e a vibrante “For Airi”, de Errollyn Wallen. Além disso, o álbum apresenta quatro obras particularmente caras a Humphreys: novas produções dos jovens compositores britânicos Freya Waley-Cohen, Oliver Leith, Seonaid Aitken e Laurence Osborn, que mostram, com abordagens variadas, como é o violino virtuoso do século XXI.
“Caffeine”, de Waley-Cohen, originalmente é uma peça para flauta doce que depois foi adaptada para violino a pedido de Humphreys. “Eu estava na estreia”, diz ela. “Ela tinha uma energia tão incrível que eu queria fazer parte dela. É o equivalente musical do seu cérebro quando você toma muito café.” A mesma positividade bombástica pulsa em “Glasgow Reel Set”, de Seonaid Aitken, que combina melodias populares, violino tradicional e técnicas clássicas e resulta em uma obra eletrizante. “Foi Seonaid que me apresentou ao violino escocês. Foi um aprendizado bem interessante encontrar maneiras diferentes de posicionar o braço para fazer direito as passagens rápidas, porque elas podem facilmente soar erradas”, diz Humphreys. “Eu acho que as pessoas ouvem essa música e se sentem livres de um jeito diferente como ouvintes.” A liberdade também é um tema que retorna nas obras de Leith e Osborn. Humphreys as descreve como “suaves e muito bonitas” e diz que têm “várias coisas loucas”. “Eu adoro música nova”, diz Humphreys. “Trabalhar com compositores vivos é empolgante. Testemunhar a criação de uma música é uma honra incrível.”

Lista de faixas de Caprices por Fenella Humphreys

Mais álbuns de Fenella Humphreys

instagramSharePathic_arrow_out􀆄 copy􀐅􀋲

Loading...