Los Angeles Philharmonic, Gustavo Dudamel, Anne Akiko Meyers & Gustavo Castillo
Fandango
Álbum · Música clássica · 2023 · Los Angeles Philharmonic
Gustavo Dudamel é um dos mais célebres e importantes defensores da música latino-americana. O maestro venezuelano revela mais uma vez a sua expressividade e o seu talento criativo nesta primeira gravação de Fandango, espetacular concerto para violino do mexicano Arturo Márquez, que o compôs para Anne Akiko Meyers, que faz aqui uma performance imponente. Dudamel reforça a mensagem dessa obra com o balé Estancia, do argentino Alberto Ginastera, raramente executado na íntegra. O álbum com a Filarmônica de Los Angeles, gravado ao vivo no Hollywood Bowl, em Los Angeles, celebra o trabalho de dois compositores que se inspiram na tradição musical dos seus países.
“Essa música faz parte do meu DNA”, diz Dudamel ao Apple Music Classical. “E parte da minha missão é levar a música latina para onde ela merece estar. Para mim, é fundamental que a música latino-americana seja vista como parte da cultura universal, como Beethoven, Brahms ou Stravinsky, não apenas como algo exótico.” Este álbum, lançado no Mês da Herança Latina de 2023, revela a força da música latina. “A nossa cultura é linda e muito expressiva. E eu diria que isso faz parte da América Latina como um todo.”
Ginastera escreveu o balé em um ato Estancia em 1941 para a companhia de dança Ballet Caravan, dos EUA. Geralmente apresentada como uma suíte de quatro danças, a obra é inspirada no poema épico Martín Fierro (1872), de José Hernández, uma ode à Argentina rural e aos bravos e rebeldes gaúchos locais. A interpretação de Dudamel tem o poder de provocar grandes emoções com precisão rítmica. A seguir ele comenta as obras do álbum:
Fandango for Violin and Orchestra (Arturo Márquez)
“Quando a gente ensaiou esta peça incrível pela primeira vez, era visível o fascínio dos músicos. Essa combinação de inspiração e alegria entra em você. Tem que ter precisão, é claro, mas também tem que ter liberdade dentro desse controle, uma ação livre do espírito humano. A cada nota, você sente que está tocando a beleza da música de Arturo Márquez. Eu sou um grande admirador do maestro Márquez desde os 12 anos, quando tocava seu Danzón Nº 2 na orquestra infantil, e hoje temos uma relação sólida.
“No primeiro movimento de Fandango, ele remete às peças barrocas com acordes repetidos de ‘La folia’. No segundo movimento há um momento melancólico de reflexão silenciosa. Pajarillo é uma dança venezuelana muito rápida, em que o violinista improvisa antes de começar. Acho que Márquez homenageia esse improviso no último movimento do concerto. Ele criou uma viagem maravilhosa pela história do violino como instrumento popular latino.”
Estancia (Alberto Ginastera)
“Já nos primeiros compassos de Estancia, você percebe o espírito dos pampas argentinos. Você sente a alma daquela terra bela e vasta, cheia de alegria e drama. Acho que Ginastera compreendeu profundamente aquela região. Na música, o som faz com que compositor interprete algo visual ou um sabor, algo que quase dá para tocar.
“Estancia representa a compreensão do universo de Ginastera. Acho que esta música abre espaço para a contemplação, algo a que a nossa geração e o mundo em que vivemos não estão acostumados. A grande qualidade desta obra é provocar a contemplação de verdade para entender o ritmo da terra.”
“Essa música faz parte do meu DNA”, diz Dudamel ao Apple Music Classical. “E parte da minha missão é levar a música latina para onde ela merece estar. Para mim, é fundamental que a música latino-americana seja vista como parte da cultura universal, como Beethoven, Brahms ou Stravinsky, não apenas como algo exótico.” Este álbum, lançado no Mês da Herança Latina de 2023, revela a força da música latina. “A nossa cultura é linda e muito expressiva. E eu diria que isso faz parte da América Latina como um todo.”
Ginastera escreveu o balé em um ato Estancia em 1941 para a companhia de dança Ballet Caravan, dos EUA. Geralmente apresentada como uma suíte de quatro danças, a obra é inspirada no poema épico Martín Fierro (1872), de José Hernández, uma ode à Argentina rural e aos bravos e rebeldes gaúchos locais. A interpretação de Dudamel tem o poder de provocar grandes emoções com precisão rítmica. A seguir ele comenta as obras do álbum:
Fandango for Violin and Orchestra (Arturo Márquez)
“Quando a gente ensaiou esta peça incrível pela primeira vez, era visível o fascínio dos músicos. Essa combinação de inspiração e alegria entra em você. Tem que ter precisão, é claro, mas também tem que ter liberdade dentro desse controle, uma ação livre do espírito humano. A cada nota, você sente que está tocando a beleza da música de Arturo Márquez. Eu sou um grande admirador do maestro Márquez desde os 12 anos, quando tocava seu Danzón Nº 2 na orquestra infantil, e hoje temos uma relação sólida.
“No primeiro movimento de Fandango, ele remete às peças barrocas com acordes repetidos de ‘La folia’. No segundo movimento há um momento melancólico de reflexão silenciosa. Pajarillo é uma dança venezuelana muito rápida, em que o violinista improvisa antes de começar. Acho que Márquez homenageia esse improviso no último movimento do concerto. Ele criou uma viagem maravilhosa pela história do violino como instrumento popular latino.”
Estancia (Alberto Ginastera)
“Já nos primeiros compassos de Estancia, você percebe o espírito dos pampas argentinos. Você sente a alma daquela terra bela e vasta, cheia de alegria e drama. Acho que Ginastera compreendeu profundamente aquela região. Na música, o som faz com que compositor interprete algo visual ou um sabor, algo que quase dá para tocar.
“Estancia representa a compreensão do universo de Ginastera. Acho que esta música abre espaço para a contemplação, algo a que a nossa geração e o mundo em que vivemos não estão acostumados. A grande qualidade desta obra é provocar a contemplação de verdade para entender o ritmo da terra.”

